sábado, 21 de agosto de 2010

Pela última vez [e não se fala mais nisso]

Caros leitores, debrucemo-nos então sobre a questão do prestígio. O eterno poeta (por diversas vezes, ainda prosador) Fernando Pessoa esclareceu-nos sobre as condições para se ser uma pessoa admirada pelos outros. A ordem é uma e não se pode inverter: primeiro, a diferença (aliada à não-inferioridade), segundo, o mistério e, por último, a superioridade. Quanto a mim, até aqui está claro. Não sei se porventura para vós também estará.


A questão que coloco é: Será o prestígio um atributo apenas dependente da acção do sujeito ou envolverá essencialmente o reconhecimento da sociedade por ele?


A meu ver, o caminho traçado por cada uma dessas conceituadas pessoas é extremamente relevante para que se consiga alcançar essa espécie de estatuto abstracto e relativo. Contudo, esse esforço realizado pelo próprio não só não é suficiente, como (atrevo-me a dizer) pode não ser, em alguns casos, a primeira premissa para o reconhecimento do prestígio. É digno salientar o papel da classificação que os outros nos atribuem. Nós somos aquilo que os outros pensam de nós. Não concordam? Então vejamos, há pessoas que se podiam distinguir ora pelas suas telas inspiradoras, ora pela sua escrita sublime, sem esquecer a música nem a representação, a ciência e outras tantas vertentes da arte. «Toda a arte.»


Toda a arte tem pelos recônditos cantos do mundo quem possa ocupar mais alguns espaços no lugar de Homens prestigiados, quiçá, de génios. No entanto, o fundamental é conquistar do seu púlpito (corpóreo ou não) pessoas, públicos, admiradores. Fácil? Não, como Pessoa afirmou só se começa por admirar aquele que sendo superior é-o sendo, sobretudo, diferente. Se assim não se suceder, o que restará será inveja, inveja e mais inveja.


Ainda assim é de salientar o facto de ninguém deixar de ter mérito pelo prestígio alcançado porque está dependente do juízo e consentimento dos outros. O caminho do prestigiado é sempre árduo, a conquista do público sempre custosa.


Portanto, e em jeito de conclusão, creio que o agente que faz nascer o seu prestígio não o consegue sem público, nem o público faz um génio se ele não o for e quiser [pode ser a mola impulsionadora não mais que isso], ambos agem cumulativamente.

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