domingo, 8 de agosto de 2010

O fim dos chumbos (1ª parte)

Em declarações que se têm demonstrado polémicas, Isabel Alçada mostrou intenções de pôr em discussão uma hipotética medida para terminar com os chumbos nas escolas portuguesas.


Segundo a Ministra da Educação, as retenções “não têm contribuído para a qualidade do sistema” educativo. Estou convicta de que o facilitismo nas transições também não contribuirá para tal.


Penso que, primeiro, deve-se apostar na qualidade de ensino e no progresso educacional e, só depois de alcançados resultados positivos, considerar a implementação desta medida. Na minha opinião, o problema aqui relaciona-se essencialmente com uma inversão das premissas causa-efeito uma vez que acabar com os chumbos para que se assista a um crescendo das qualificações dos alunos não é a decisão certa. É necessário que saibamos a ordem pela qual devemos reger os nossos objectivos, e estes devem começar pelo investimento no ensino, criando condições para que os estudantes sejam bem sucedidos e mudando até a mentalidade daqueles que não sentem interesse pelo mesmo e só depois pôr a hipótese de acabar com os chumbos.


Infelizmente não estamos a passar por uma conjuntura política e economicamente viável para que o possamos fazer. (Receio até que não o consigamos num futuro próximo.)


Depois, julgo que acabar com as reprovações é algo que vai fazer crescer o facilitismo e incitar a descredibilização no sistema de ensino português. E digo isto porque o fim dos chumbos acaba por prejudicar os dois tipos de alunos: aqueles que trabalham e que acabam por não se distinguir por culpa deste facilitismo; e aqueles que vêem a sua vida escolar facilitada deixando de se esforçarem o suficiente, o que para além de contribuir para que haja pessoas qualificadas na teoria, mas não na prática, dá aos alunos a ideia ilusória de que estão verdadeiramente instruídos.


A verdade é que esta medida até podia considerar-se boa se aplicada num país que não o nosso, onde os alunos fossem na sua maioria (e com escassas excepções) realmente disciplinados e interessados na escola, onde a responsabilização pelas notas coubesse, muito em parte, aos Encarregados de Educação, e onde a escola fosse encarada de uma forma agradável, ainda que rigorosa. No nosso país (e no momento actual) não é mais senão uma utopia. Tenho de acrescentar que com isto não pretendo criticar os alunos portugueses, existem muitos que merecem todo o respeito pelo esforço e mérito que empregam, que devia ser recompensado sem ressalvas (o que com o fim dos chumbos será inexequível).

2 comentários:

Diário de uma adolescente disse...

esta medida é completamente estupida, a serio, como querem que haja sucesso escolar se esse sucesso é nos (lhes) basicamente entregue de bandeja? o certo é que nao vai existir sucesso nem tao pouco ambição pois terºao o futuro garantido, pelo menos ate um certo ponto. sao estes os seguidores que o pais esta a criar , é uma pena.

adorei o texto minha linda e adoro-te. grande beijinho *

Bruno Daniel Pereira Fernandes disse...

- como chegaste até ao meu blog? historias-de-um-sonho.blogspot.com
CONCORDO COMPLETAMENTE